Em sua época, foi Llobet considerado o melhor violonista do mundo.Isaias
Sávio assimilou sua escola, divulgando-a no Brasil, a qual, direta
ou indiretamente, se faz sentir em quase todos os violonistas brasileiros.
De 1924 a 1930 Sávio permaneceu em Buenos Aires, convivendo com os
melhores músicos da época, realizando concertos na capital e no interior
da Argentina.
Em 1931 realizou turnê por todo o Uruguai e, nesse mesmo ano, chegou
ao Brasil. Em Porto Alegre deu seu primeiro recital - na Sala Beethoven
no dia 11 de setembro.
Posteriormente, percorreu o Brasil divulgando o violão em recitais,
programa de rádio, palestras e, mais tarde, na televisão.
Como didata, lecionou em Belo Horizonte; teve discípulos em quase
todos os estados.
Lecionou no Rio de Janeiro de 1932 a 1940, realizando recitais seus
e dde seus alunos, dos quais, nessa época salientam-se Luis Bonfá,
Antonio Rebello, Deo- clesio Melim, Maiza Ramalho e muitos outros.
Em 1941 radicou-se definitivamente em São Paulo, fundando, no mês
de outubro desse ano, a "Associação Cultural Violonística Brasileira"'.
Em 1947 conseguiu instituir no Conservatório Dramático e Musical de
São Paulo a cadeira do vio- lão, sendo seu fundador.
Oficializando o ensino de seu instrumento no Estado de São Paulo (pelo
Serviço de Fiscalização Artística), foi pioneiro no pais.
Naturalizado brasileiro em 1963, foi diretor do II Seminário Internacional
de Violão, realizado em 1970 em Porto Alegre e do I Seminário Santista
de Violão em 1972. Formando professores e recitalistas, Sávio iniciou
uma obra sem paralelo no campo da violonística no Brasil.
Interessado na música brasileira, estudou nossos ritmos e nosso Folclore;
muitas das suas composições demonstram claramente esse aspecto.
Alguns dos seus alunos conquistaram projeção internacionaI, como Luis
Bonfá, Antonio Carlos Barbosa Lima, Clara Petraglia, José Antonio
Lopes e Silva (Portugal) e professores como Antonio Rebello, Turíbio
Santos, Manoel São Marcos, Henrique Pinto, Paulo Porto Allegre (só
para citar alguns).
Como compositor, entre obras originais, transcrições, revisões e material
didático, teve publicadas mais de 300; inclusive nos países asiáticos.
Na Revista "Violões e Mestres", publicou a série "Origens e Aspectos
Evolutivos do Violão". Foi professor da Escola Paulista de Violão,
da Academia Paulista de Música e do Conservatório Meireles e colaborador
da revista nortemericana "Guitar Review".
Homenageando seu trabalho, compositores de projeção universal dedicaram-lhe
obras : Camargo Guarnieri, Guido SantórsoIa, Theodoro Nogueira, Osvaldo
Lacerda, Eduardo Grau e, entre os violonistas, Abdon Lyra, Luis Alba
(Uruguai), Jan Anton van Hoek (Holanda) , Miguel Abloniz (Itália)
, Manoel São Marcos, Alfredo Scupinari, Dilermando Reis, José Oliveira
Queiroz.
Também no Brasil,
a título de homenagem, tiveram seu nome o "Centro Violonístico Isaías
Sávio" de Poços de Caldas, a "Escola Violonística Isaías Sávio" de
Santo André, o "Núcleo Violonístico Isaías Sávio", de São Paulo, o
"Centro Violonístico Isaías Sávio" de Belo Horizonte, dentre outros.
O mestre faleceu
em São Paulo aos 77 anos de idade.
Principais obras:
Andante con moto, Cajita de Música, Cenas Brasileiras, Choro nº
1, Sarabanda e Giga, Serenata Campera, Suite Infantil, Tango Brasileiro,
Três Estudos, no mês de outubro, Veinticinco Estudios Melódicos -
todas para violão.