SABEMOS CANTAR O HINO NACIONAL BRASILEIRO?



O Hino Nacional Brasileiro é uma das mais belas obras do repertório nacional:
uma bem estruturada composição musical somada a um poema de rara inspiração cívica.
Seus autores - Francisco Manuel da Silva (1795-1865), música e
Joaquim Osório Duque-Estrada (1870 - 1927), letra - não chegaram a conhecer-se.
A música nasceu primeiro; o texto veio depois.

Eduardo Escalante *

Francisco Manuel da Silva

Os autores

Francisco Manuel da Silva
foi Mestre da Capela Imperial, considerado
o mais importante compositor da sua época.
Aluno do Padre José Maurício, fundou e dirigiu
o Conservatório Musical,
antecessor do Instituto Nacional de Música.

Joaquim Osório Duque-Estrada,
proeminente homem de letras,
publicou 27 livros, poesias, peças teatrais.
Além de crítico de três jornais,
foi professor de História.
O seu "Projeto de Letra Para o
Hino Nacional Brasileiro" data de 1909.
Foi aprovado em 1922, na véspera das
comemorações do centenário da Independência.


Osório Duque-Estrada

A história
Curiosa é a história do nosso Hino: nasceu em 1822 no estilo de uma marcha para banda,
a fim de comemorar a Independência, sendo depois modificado quando da Abdicação de D. Pedro I.
Durante todo o século XIX foi apenas executado.
Para o mesmo criaram-se vários textos que nunca estiveram à altura da música de Francisco Manuel.

Após tumultuados acontecimentos, letra e música foram definitivamente
adotados, como vimos, a partir de 1922.
Mais curioso é ainda o fato do Hino ter sido oficializado somente em 1° de setembro de 1971 (Lei n. 5.700).
A orquestração é de Assis Republicano e
a adequação vocal, em fá maior, do compositor Alberto Nepomuceno.




Corrigindo erros

Um dos fatos que tem sofrido as maiores críticas é o de se aplaudir:
se o Hino Nacional representa o próprio povo, as pessoas estariam aplaudindo a si mesmas (!).
Pior é a sua execução: há uma proibição expressa quanto a arranjos (vocais ou instrumentais)
que descaracterizam o disposto na lei 5.700.
No entanto, vemos e ouvimos execuções caricatas, ridículas, desrespeitosas ,
feitas por grupos vocais e instrumentais de música popular urbana, modificando,
inclusive, as estruturas melódicas e harmônicas estabelecidas pela legislação vigente.
O motivo disto: pura ignorância - desconhecimento musical, descaso, burrice mesmo...

Apontando alguns dos erros mais freqüentes:
1 - sendo marcha, é incoerente a interpretação por figuras de igual duração (fig. 1):




2 - linha melódica errada no final do primeiro verso (fig. 2):



3 - início do 3° e 4° verso: primeira nota errada (fig. 3):



4 - figuras melódicas erradas no 6° verso (fig. 4):



5 - O pior de todos: linha melódica totalmente errada (intervalos invertidos!) (fig. 5):



6 - Figura melódica da frase final completamente errada (fig. 6);



7 - Palavras erradas, alterando inclusive o sentido do verso:
"E o teu futuro espelha essa grandeza" (e não: "se o teu futuro...).

8 - Na 2ª parte: (erro generalizado): "nossa vida NO teu seio mais amores" (e não "em teu seio...").

Se ao menos conseguirmos corregir estes oito erros, um bom passo teremos dado
em prol da cultura da nossa Pátria.


Matéria publicada na revista Santos Arte e Cultura
Ano 1 vol.2 - mar 2007

revistaartecultura@yahoo.com.br
 
* Eduardo Escalante - compositor,
regente, professor apos. do
Instituto de Artes da Universidade
Estadual Paulista.

 

 

 

 



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