ÓPERA
O PAGADOR DE PROMESSAS
DE EDUARDO ESCALANTE


Autores
O Pagador de Promessas, texto de Dias Gomes tem sua versão operística com música de Eduardo Escalante sobre libreto de
Henri Doublier
e Marie Jeanne Calasans.

Dividida em dois atos, com duração aproximada
de duas horas, a ópera reune 30 atores-cantores
e o mesmo número de músicos.
A orquestra, incluindo atabaques e berimbaus, sintoniza o sincretismo religioso, em que catolicismo, candomblé, bons e maus
princípios se antagonizam.

Sinopse

A fim de cumprir a promessa de rezar na igreja
de Santa Bárbara (Iansã no Candomblé), em Salvador,
um homem da roça, Zé-do-Burro, caminha por
sete léguas (46,2 km), acompanhado de sua mulher
Rosa, carregando nos ombros uma pesada
cruz de madeira.
Para seu espanto, em lá chegando, encontra
resistência do Padre Olavo, pároco de Santa
Bárbara que considera a repetição do sacrifício
de Cristo uma blasfêmia, não permitindo a
entrada dos dois na igreja.
Enquanto aguarda a decisão do padre,
Zé-do-Burro cativa a atenção dos capoeiristas
locais e do poeta Dedé Cospe-Rima.
Por outro lado, sua mulher é seduzida por
Bonitão, o gigolô local.
A imprensa faz sensacionalismo sobre o fato,
a polícia tenta prender o devoto e no conflito ele
é morto por um tiro.
Tristes e aflitos, os populares colocam
o corpo sobre a cruz de madeira.
Subindo as escadarias, levam a cabo a promessa
do devoto: adentrar a igreja para dar graças
pela saúde do burro, vítima de um acidente
com uma árvore.

A ópera

A preparação do clima da ópera
reúne os quatro temas básicos da obra:
o Ponto de Iansã (Canto de terreiro),
o Tema de Zé-do-Burro (o pagador
de promessas), o Tema de Dedé
(o poeta popular) e a preparação
do desfecho - final dramático.

Num total de 24 quadros, a trama dramática inicia-se pelo
Ponto de Iansã
(coro) e os
atabaques. Seguem-se dois
duetos musicalmente contrastantes:
o de Zé-do-Burro (o pagador)
e o de Rosa (sua mulher); e de
Bonitão (gigolô) e Marli (a prostituta).
A alguns diálogos e duetos, segue-se
a primeira Ária de Rosa.
Destacam-se, então, um interlúdio orquestral e a interpretação, pelo coro,
de um acalanto.
Ao aspecto dramático, segue-se um momento de descontração e humor:
a chegada da Beata.
A música descreve uma personagem caricata pelo uso dos pizzicati
das cordas e da percussão.
E em duas ocasiões há o
antagonismo desta com Minha Tia
(a mãe-de-santo), cujo tema é doce, suave.

 

 


(Xilogravura popular nordestina - O Pagador de Promessas)

O conflito motívico do drama é gerado pelo
sincretismo religioso, o qual torna-se contundente
no diálogo cada vez mais tenso entre o Pagador
e o Padre Olavo.
O peso das cenas anteriores, porém, contrabalança
com a chegada do poeta popular - Dedé Cospe-Rima -
cujo tema é ritmado, popular, jocoso, com muita
percussão e alegria.
Também tem este caráter a Ária do Repórter,
cujo ritmo é de baião; e a Ária de Bonitão, de caráter
bem nordestino, ritmado, cômico.
Mas a Ária de Zé-do-Burro é contundente,
profundamente sentimental, como as de Rosa,
aflita, confusa, apelativa, assustada.
Os diálogos e duetos de Marli e Bonitão
são sempre tensos, plenos de dissonâncias.

As personagens
Zé-do-Burro............barítono
Rosa ....................soprano
Bonitão .................baixo
Marli .....................mezzo soprano
Padre.................... baixo
Dedé Cospe-Rima ..tenor
Sacristão............... tenor
Beata ....................mezzo soprano
Minha-Tia ...............contralto
Guarda ..................barítono
Repórter ................ tenor
Galego ...................barítono
Secreta....................barítono
Monsenhor ..............baixo
Delegado..................baixo
Mestre Coca ............tenor
Fotógrafo, Manoelzinho, Capoeiristas, o povo - Coro.
A orquestra
Sopros - (1) flauta, (1) oboé, (1) clarinete, (1) trompa. Percussão - Atabaques, berimbau, prato, caixa, tron-tons, tumbadora, bombo, xilofone, triângulo, castanhola, xocalho, agogô, blocos, escova, sinos tubulales, piano.
Cordas - Violinos I e II, Violoncelos, Contrabaixos. Percussão em cena - (2) berimbaus, (1) atabaque, (1) pandeiro, (1) agogô.


Os Autores

Dias Gomes

Eduardo Escalante

Henri Doublier

Marie Jeanne Calasans

Origem do Projeto
A amizade de Henri Doublier e Dias Gomes teve início em 1965.
Oito anos mais tarde, o diretor francês criou e apresentou a versão radiofônica
de "O Pagador de Promessas" na Rádio e Televisão Francesa (1973).
Doublier, porém, tinha o sonho de transformar a peça teatral numa ópera.
Acometido por um derrame cerebral, teve seu projeto adiado.

Em 1989, recomeçou a trabalhar convidando Marie Jeanne Calasans para,
em parceria, escrever o libreto em português e em francês.
Dois anos mais tarde, pelo fato de ter afinidade com a cultura popular,
o maestro Eduardo Escalante foi convidado a compor a música da ópera.
Vale salientar que este, além de folclorista, havia composto
o Poema Coral-Sinfônico Sertões, por ocasião dos 90 anos de publicação
da obra homônima de Euclides da Cunha.

Em novembro de 1992, a ópera foi concluída e em janeiro do ano seguinte,
a composição chegava às mãos de Dias Gomes que, entusiasmado exclamava: -"Ainda não tenho a menor idéia de como será a montagem...
Estou ansioso para vê-la, será uma experiência totalmente diferente
das anteriores, incluindo as versões para o teatro e a do filme, que foi dirigido
por Anselmo Duarte
".

A montagem da ópera O Pagador de Promessas tem o ensejo de homenagear
Dias Gomes e Henri Doublier, que nos deixaram em 1999 e 2004.


Ao redor de uma mesa, Henri Doublier, Eduardo Escalante, Dias Gomes e Marie Jeanne Calasans discutem sobre a realização de "O Pagador de Promessas" em versão lírica


Montagem de O Pagador de Promessas no Rio de Janeiro
25 de agosto de 2006


Promoção do Forum de Ciência
e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


Coordenação do Prof. Dr. Carlos Antonio Kalil Tannus.

Direção Cênica: Menelick de Carvalho

Solistas, Coro e Orquestra sob a regência do Mto. Wendell Kettle.


Mto. Wendell Kettle


M. Jeanne, Wendell e Escalante

Dr. Tannus, M. Jeanne e Escalante


Elenco

Zé-do-Burro: Leandro da Costa (barítono)
Zé-do-Burro: Rafael Thomas
(barítono)
Rosa: Laila Oazem (soprano)
Rosa: Chiara Santoro (soprano)
Bonitão: Jorge Mathias (baixo)
Marli: Marília Zangrandi (mezzo-soprano)
Padre: Emídio Rossmann (baixo)

Dedé: Ivan Jorgensen (tenor)
Monsenhor: Wanderley Souza (baixo)
Repórter: Guilherme Heus (tenor)
Mestre Coca: Luiz Ricardo Lopes (tenor)
Beata: Paloma Godoy (soprano)
Minha Tia: Andress Inácio (contralto)
Galego: Jardel Maia (tenor)
Guarda: Daniel Presgrave (barítono)

Secreta: Marcelo Inagoki (baixo)
Sacristão: Rafael Erbesdobler (tenor)
Delegado: Rafael Capossi (barítono)

Participação: Companhia Folclórica do Rio. Capoeiristas sob a direção do Prof. Gilberto Oscaranha.




Antecedentes



Primeira publicação do livro
Editora Civilização Brasileira


Estréia de O Pagador de Promessas no TBC,
São Paulo, em 29 de julho de 1960, sob a
direção de Flávio Rangel, tendo, no papel principal,
Leonard Vilar.


Cartaz do filme premiado


Cena final do filme - "Palma de Ouro"
do Festival de Cannes (França) em 1962.
Leonardo Vilar no papel de Zé-do-Burro
e Dionísio Azevedo, como Padre Olavo.

Em 1988, na Rede Globo, O Pagador de Promessas ganhou versão ampliada na minissérie que teve José Meyer
como Zé-do-Burro.



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