NAZARETH, O BRASILEIRO

Parte III


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SÉRGIO VASCONCELLOS CORREA
Compositor, Professor do Instituto de Artes da Unesp

Nesta terceira e última parte apresentamos as características de mais dois gêneros constantes da obra de Nazareth: o Maxixe e o Choro, completando, assim uma retrospectiva geral a respeito do compositor e sua importância no cenário da música brasileira.

MAXIXE

É o primeiro tipo de dança urbana criada no Brasil - aproximadamente por volta de 1875 - e tem origem na fusão de elementos oriundos da POLCA (movimento), da HABANERA (ritmo) e da singular sincopação da música africana.
Surgiu nos "forrós" e cabarés da Lapa (Rio de Janeiro) estendendo-se depois aos clubes carnavalescos e, aos poucos, aos teatros de revistas.
Era dança de salão de par unido ("gafieira") exigindo dos dançarinos passos firmes e figurações rápidas, mobilidade dos quadris e extremada capacidade de improvisação coreográfica.
Alguns desses passos ficaram célebres, como por exemplo: o parafuso, o saca-rolha, a carapeta, etc.
O instrumental usado consistia de flauta, violão e cavaquinho, ou, na falta destes, de um piano solista.

Características principais:
1. Esquema formal: o maxixe não apresenta esquema formal definido.
Geralmente apoia-se no recurso da variação ou na forma A - B - A tradicional.
2. Tonalidade: quase sempre maior.
3. Compasso: binário simples (2/4).
4. Andamento: rápido, com ambientação fortemente ativa, dinâmica, não permitindo atmosferas excessivamente expressivas. Segundo Ernesto Nazareth, a indicação metronômica deveria ser:


5. Ritmo predominante:




6. Linha melódica: quando cantado, o que não acontece poucas vezes, utiliza, com freqüência a gíria carioca, apresentando uma linha melódica sincopada e um caráter de dança lúbrico e lascivo.
7. Música: predominantemente vocal com acompanhamento instrumental.

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Cine Odeon, Rio de Janeiro


CHÔRO

Em sentido genérico é um conjunto Instrumental urbano, composto quase sempre por um solista e grupo acompanhante.
Nesses conjuntos - tenham ou não solistas - predominam os instrumentos de sopro (flauta, clarineta, oficleide, saxofone, etc.) além de violões, bandolins e cavaquinhos.
Embora sua finalidade seja preferentemente concertante, costumam também atuar em bailes.

A música que executam caracteriza-se pelo desenvolvido contraponto posto em prática pelos instrumentistas que, de improviso, costumam criar "contracantos" que visam não apenas valorizar a melodia principal (canto), como também permitir a geralmente excepcional exibição de virtuosismo do intérprete.

Seu aparecimento data dos últimos dias do Império e primeiros da República (1889).
O repertório desses conjuntos é formado por Valsas (valsa-chôro), Serestas (serestas em ritmo de valsa lenta) e também de maxixes, sambas, polcas, lundus, tangos brasileiros, etc., que, devido ao andamento rápido com que são executados, passam, genericamente a ser classificados como CHÔROS.
Portanto, em princípio, chôro significava conjunto de músicos e/ou maneira de executar músicas e não forma musical.

Hoje, como forma musical, apresenta as seguintes características:
1.Esquema formal: forma ternária de canção (A - B - A).
Muitas vezes apresenta a forma de rondó (A-B-A-C-A) e mais raramente apenas uma seção (A).
2. Tonalidade: maior ou menor.
3. Compasso: binário simples (2/4).
4. Andamento: geralmente bastante rápido, adequado para a exibição de virtuosismo instrumental.
De acordo com Ernesto Nazareth, o andamento dos CHÔROS deve ser:
5. Ritmo predominante: qualquer dos citados anteriormente, já que o que caracteriza os choros, antes de tudo, é a organização instrumental e os andamentos exageradamente rápidos das execuções. Um exemplo disso é o célebre "Apanhei-te Cavaquinho* - indiscutivelmente uma polca - na qual Nazareth procura sugerir um duelo virtuosístico entre uma endiabrada flauta (mão direita), que em seu estonteante malabarismo parece dizer ao cavaquinho (mão esquerda): "desta vez eu te peguei", ou seja: "Apanhei-te, cavaquinho" (maneira de falar da época).
Bastante comum é também o seguinte desenho melódico-rítmico, encontrado em muitos choros mais recentes:



Relação de obras (manuscrito do autor)