P O L CA ( PoIka )
Dança originária
da Bohêmia, a "polca" chegou ao Brasil por volta de 1844 e adquiriu
grande prestigio popular.
Porém a POLCA BRASILEIRA - da qual Nazareth nos deixou magníficos
exemplos - nada tem de comum com a européia a não ser o ritmo binário.
À primeira vista parece impossível distinguir as diferenças existentes
entre a POLCA e o TANGO BRASILEIRO, tal como foram usadas pelo nosso
compositor visto que, em ambas as formas, ele utiliza como ritmo básico
o seguinte desenho:
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(clique aqui para ouvir) ===>
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intercalado ou substituído
por outros que são comuns às duas formas,
tais como:
| a ) |
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| b ) |
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| c) |
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| d) |
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| e) |
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O exame analítico
das partituras não é suficiente para elucidar o enigma, uma vez que
a diferença básica resulta do fato de que uma sutil combinação dos
elementos melódicos (polifônicos), rítmicos (polirrítmicos) e harmônicos,
acaba por criar diferentes tipos de acentuação que, embora detectados
pela sensibilidade, ficam camuflados pela grafia.
Desse modo, enquanto na POLCA o desenho rítmico resultante se apresente
com acentuações nos dois tempos do compasso, no TANGO essas acentuações
são deslocadas para as partes fracas dos tempos:
Além desse aspeto
dinamogênico, a POLCA (de Nazareth) apresenta outras características
dignas de observação, tais como:
1 - Esquema formal:
rondó de 5 seções (A-B-A-C-A).
2 - tonalidade:
maior.
3 - compasso:
binário simples (2/4).
| 4 - andamento: |
|
= 92 (aproximadamente) |
5 - ritmos predominantes:
6 - início: quase
sempre em anacruse.
7 - linha melódica: fluente, representada por grupos de semicolcheias:
bruscamente interrompida
por figurações da própria estrutura rítmica básica.
Segundo Baptista Siqueira, o ritmo obstinado de semicolcheias deriva,
principalmente, do batuque africano, quando as mãos tocam alternadamente
nos tambores.
TANGO BRASILEIRO
O termo "tango" apareceu pela primeira vez no Brasil (Rio de Janeiro)
em uma composição musical intitulada "TANGO - Chanson havaneise de
Lucien Boucquet (ou Bousquet) em transcrição de F. Crose" (1863).
O primeiro compositor brasileiro a utilizá-lo foi Henrique Alves de
Mesquita, em sua peça "Ali Babá e os quarenta ladrões" (1872).
Essa peça, que continuou sendo apresentada durante 30 anos aproximadamente,
serviu para estabilizar o gênero.
No entanto, foi Ernesto Nazareth que o sistematizou, quando, a partir
de 1890 lhe deu a forma de rondó de cinco seções.
Suas principais características são:
1.. esquema formal: rondó (A-B-A-C-A).
2. tonalidade: predominam as maiores.
3. compasso: binário simples (2/4).
| 4.
andamento: segundo determinação do próprio Nazareth: |
 |
= 80 |
5. ritmos predominantes:
6. inicio: tético
ou anacrúsico.
7. linha melódica: cheia de "dengo", manhosa, com muitos acentos expressivos,
os quais exigem andamento moderado. "Meus tangos nada têm com o dançante,
no sentido exato do termo", costumava dizer Nazareth.
8. Música estritamente instrumental.
(Continua
no próximo número)
Você
está ouvindo o tango "Brejeiro"
de Ernesto Nazareth.
