Seção do Estudante - História da Música


OS MÚSICOS DE FEVEREIRO

Aniversariantes


Camargo Guarnieri (1907-1993)

Nasceu em Tietê, SP no dia 1 de fevereiro de 1907.
Até os anos 50, poucas obras do compositor haviam sido publicadas ou gravadas em disco.
A divulgação de sua música passou a ocorrer somente após
a realização do 1o. Festival de Ouro Preto, fator decisivo para
a projeção nacional de Guarnieri.
Clóvis Salgado, patrono do Festival e Ministro da Educação
do Governo Kubitschek, nomeou-o assessor especial para assuntos de música, cargo no qual exerceu grande influência
no cenário da música erudita brasileira.


Em defesa de uma arte brasileira autêntica, publicou, em 1950, uma Carta Aberta aos
Músicos e Críticos do Brasil.
Revoltava-se contra o atoleiro em que se encontravam os jovens compositores influenciados
por Koellreutter, alertando-os para o fato de que aquelas técnicas haviam destruído os princípios
básicos de toda cultura musical européia.
Coerente com essa posição, foi o único compositor brasileiro a manter um curso de composição
com o intuito de formar artistas conscientes das questões da música nacional quanto à estética,
à linguagem e aos meios de realização.
Em 1975, um grande sonho se realizou. Passou a ser o diretor artístico e regente titular da
Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo. " (...) É o maior prêmio da minha vida, ter
uma orquestra para dirigir
."
Guarnieri compôs uma vasta obra, atingindo mais de setecentas peças, sendo um dos autores
nacionais mais interpretados no exterior.
Foi agraciado com inúmeros prêmios, condecorações e medalhas, somando mais de cem
títulos nacionais e estrangeiros.
Foi premiado também em mais de dez concursos nacionais e internacionais de composição.
Mozart Camargo Guarnieri faleceu a 13 de janeiro de 1993, aos 85 anos, em São Paulo,
logo após ter sido agraciado com o prêmio "Gabriela Mistral" pela OEA (Washington),
considerado o Nobel das Américas, com o título de "Maior Compositor Contemporâneo
das Três Américas
".

Crédito: http://www.bn.br/fbn/musica/guarnieri/guarnie4.htm

Felix Mendelssohn (1810-1849)

Jacob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy nasceu em
Hamburgo (Alemanha) a 3 de fevereiro de 1809.
Neto do filósofo Moses Mendelssohn, pertencia à família de
ricos banqueiros judeus, convertidos ao cristianismo.
Recebeu educação cuidadosa: além de piano e composição,
estudou literatura e arte, dominando a expressão literária com a mesma facilidade com que dominou a música. Estudou em
Berlim (1811), depois em Paris Mendelssohn começou a dar concertos aos nove anos de idade! Por essa época publicou uma tradução da Adreana, de Terêncio e em 1821 esteve em Weimar, tocando na presença do poeta alemão, Goethe.
Terminou diversas peças musicais, entre elas a abertura
Sonhos de uma noite de verão (1826), e fez representar a ópera
As bodas de Camacho.


De 1826 a 1828, Mendelssohn freqüentou a universidade de Berlim, e ao longo de sua trajetória acadêmica teve a possibilidade de ter mestres de grande prestígio, entre os quais se distinguiram
nomes como o de Hegel, Carlos Hitter e Eduardo Gans.
Mendelssohn destacou-se em quase todas as disciplinas, exceto em matemática e física, e falava
vários idiomas. A fim de completar a sua formação estética, Mendelssohn estudou artes plásticas
com João Gottlob Rösel, da Academia de Belas Artes de Berlim. Mendelssohn pintou durante toda
a sua vida, dominando a técnica da pintura e aquarela. Apresentava, ainda, destacado desempenho
nos esportes e costumava praticar exercícios como a equitação e a natação. Também era, segundo diziam, um excelente dançarino.
Posteriormente, freqüentou a Academia de Canto de Berlim, onde aprendeu a arte da
instrumentação e da regência de coral.
Pode-se dizer que a precocidade e o destaque do jovem compositor em tudo ao que se propunha derivava, em parte, da excelente formação educacional e do ambiente em que vivia, no qual
mantinha contato com importantes e influentes intelectuais.
Ao finalizar seus estudos, seu pai aceitou que se dedicasse à música,
a qual já havia se convertido no centro de suas atenções.
O trabalho que Mendelssohn realizou para recuperar a música anterior a seu tempo, foi
comentado na historiografia da arte dos sons e centra-se, principalmente, em um marco histórico:
no dia 11 de março de 1829 era representada em Berlim, apesar da hostilidade de boa parte dos membros dos círculos musicais, a Paixão segundo São Mateus, de J.S.Bach.
Entre os presentes estava o seu mestre, Carlos Frederico Zelter, que foi o responsável por
suscitar o interesse de seu aluno pelo barroco J.S.Bach, compositor que marcou o estilo das composições do jovem músico. Montada e dirigida pelo próprio Mendelssohn, fazia exatamente
79 anos, ou seja, desde a morte do grande compositor barroco, que não se escutava essa
obra-prima, a qual, a partir de então, foi redescoberta e voltou a ser incluída nos programas
musicais do continente, junto às demais obras do catálogo bachiano.
As inquietudes de Mendelssohn fez com que empreendesse uma série de viagens, em sua
grande maioria financiadas por seu pai, principalmente pela Inglaterra, Escócia (1829), Itália
(1830-1831), França (1831) e Inglaterra outra vez (1832-1833), com a finalidade de ampliar
seus conhecimentos culturais.
Na Inglaterra, onde esteve em abril de 1829, em Londres, dirigiu-a e interpretou-a com grande
êxito. No dia 29 de novembro desse mesmo ano, a Real Sociedade Filarmônica de Londres,
admitiu-o entre seus membros. Mendelssohn visitou, ainda, a Escócia e a Irlanda, antes
de regressar a Berlim.
Desde esse momento, a Inglaterra converteu-se em um dos seus destinos prediletos,
descrevendo Londres com estas palavras: '(...) Sinfonia de fumaça e de pedra, é o monstro
mais grandioso que se pode encontrar.
Eu nunca tinha visto tanto contraste e tanta variedade
'.
Ao regressar da viagem, rejeitou o cargo de professor que havia sido criado para ele em
Berlim, e em maio de 1830 partiu novamente, nessa ocasião para a Itália, passando
também por Weimar (onde voltou a ver pela última vez seu amigo Goethe),
Munique e Viena.
Mendelssohn visitou em primeiro lugar as cidades de Veneza e Bolonha, e em
outubro desse ano chegava à Florença.
As impressões do jovem artista em relação aos seus primeiros contatos com a cultura
mediterrânea foram intensas, e ficaram registradas na vasta correspondência que
manteve com seus familiares.
Outra cidade que o impressionou foi Roma, onde residiu desde 1.º de novembro de 1830 até
10 de abril de 1831: '(...)
E quando em meio a um deslumbrante e esplêndido luar e um céu turquesa escuro,
encontrei-me em uma ponte com estátuas e ouvi alguém gritar ponte móvel, de repente tudo
me pareceu um sonho'.
Diante da basílica de São Pedro, um impressionado Mendelssohn escreveria: 'Uma grande
obra da natureza, um bosque, um grande maciço ou algo semelhante, porque
não posso aceitar a idéia de que seja obra de homens
'.
Em outra carta, datada do dia 20 de dezembro, Mendelssohn mostrava-se completamente
adaptado ao novo ritmo que impunha a seus habitantes a grande cidade meridional:
'Há um sol intenso, um céu azul, um ar límpido. (...)
É incrível a sensação que causa este ar, esta serenidade, e quando me levantei e vi
reaparecer o sol, fiquei alegre em pensar que não faria nada.
Todos saem para passear de um lado a outro, e desfruta-se da primavera em dezembro.
A cada momento encontram-se amigos, depois separam-se, cada um segue sozinho
e pode sonhar. (...) Os montes Sabinos estão cobertos pela neve, o brilho do sol é divino,
o monte Albano apresenta-se como uma aparição de sonho.
Nada parece distante aqui da Itália, pois todas as casas podem ser contadas sobre os
montes com suas janelas e telhados'. Em Roma, Mendelssohn conheceu Berlioz,
com quem manteve uma boa amizade.
O compositor francês descreveria, assim, seu colega alemão: 'É um jovem maravilhoso,
seu talento como intérprete é tão grande como o seu gênio musical. (...) Tudo o que ouvi
dele me entusiasmou, estou fortemente convencido de que é um dos maiores talentos
musicais de nosso tempo (...) e é também uma dessas almas cândidas
que raras vezes encontramos
'.
Entre suas melhores composições dessa época estão A caverna de Fingal,
o Concerto para piano em sol menor, a Sinfonia n.º 4 - Italiana e o oratório Paulus.
No final de 1831, Mendelssohn visitou novamente Paris, ocasião em que conheceu,
entre outros compositores, Chopin, Meyerbeer e Liszt. Entretanto, o desprezo da
Sociedade de Concertos em relação à sua Sinfonia n.º 5 - Reforma, e a epidemia de cólera
que assolou a cidade fizeram com que o compositor abandonasse a cidade e se dirigisse
a Londres, onde chegou no dia 23 de abril de 1832.
Cerca de um ano antes, em 28 de maio de 1831, uma carta enviada às suas irmãs Fanny
e Rebeca refletia o apreço que o músico alemão sentia por essa cidade: '(...) Está escrito
no céu que aquele lugar coberto por brumas foi e continua sendo a minha residência predileta.
Meu coração bate forte quando penso nele
'.
Em Londres Mendelssohn soube da morte de duas das personalidades que mais admiravam:
Goethe, que havia falecido no dia 22 de março de 1832, e Carlos Zelter, um de seus
professores, no dia 15 de maio.
Decidiu regressar a Berlim no mês de julho, permanecendo nessa cidade até 15 de
janeiro de 1833, quando foi surpreendido por outra má notícia: a negativa quanto à sua
aceitação para ocupar a vaga de Zelter na Academia de Berlim.
Depois de um primeiro contato promissor com a orquestra de Gewandhaus, de Leipzig,
Mendelssohn decidiu aceitar a proposta na qual se converteria em
diretor do festival do Reno.
Posteriormente, viajou a Londres, ocasião em que se deu a estréia de sua
Sinfonia n.º 4 - Italiana , no dia 13 de maio de 1833.
Pouco tempo depois, assinou um contrato de três anos para dirigir as atividades
musicais em Düsseldorf. Mendelssohn permaneceu nessa cidade até 1836, embora
no outono de 1835 tivesse aceito a direção do Gewandhaus de Leipzig, começando
a exercer suas funções à frente dessa instituição que, sob o seu comando, alcançou
um grande prestígio.
Em 1836, recebeu o título de doutor honoris causa, da universidade de Leipzig.
Em 1841, foi chamado à Berlim por Frederico Guilherme IV, rei da Prússia, o qual
desejava fundar um grande conservatório.
Mendelssohn tornou-se o seu mestre de capela e, desde então, dividiu suas atividades
entre Berlim e Leipzig.
Ainda em 1841 recebeu do rei da Saxônia o título de diretor de orquestra.
Em 1843, Mendelssohn fundou e dirigiu uma das instituições mais destacadas em
todo o continente: o Conservatório de Música de Leipzig.
Nele, o músico ensinou composição e piano, junto a uma equipe de professores
selecionada por ele e da qual também fazia parte o renomado compositor Schumann.
O Conservatório de Música de Leipzig alcançou um alto nível, em sua época
inigualado por outro instituto em toda Alemanha.
Mendelssoh viveu nessa cidade até 1845. Em 1846 dirigiu em Birmingham, a primeira
audição do seu oratório Elias, que foi triunfalmente recebido.
De regresso dessa viagem, recebeu a notícia do falecimento de sua irmã Fanny,
o que lhe causou forte abalo.
Mendelssohn veio a falecer poucos meses depois, a 4 de novembro de 1847,
em Leipzig (Alemanha). Mendelssohn é um compositor eclético, embora de
linguagem muito pessoal. Inspirado por sentimentos românticos criou obras
de altas qualidades formais, fiel ao Classicismo vienense.
Homem fino e culto, sua música equilibrada reflete a falta de paixão de quem
se fez na vida sem esforço.
Seu Concerto para piano n.º 1 em sol menor (1826) é obra tecnicamente
difícil, mas já de valor.
Ainda em 1826, com a idade de apenas 17 anos, compõe sua primeira obra-prima,
a brilhante abertura Sonho de uma noite de verão.
A obra é rica em efeitos atmosféricos e as melodias são de um lirismo encantador.
A música incidental para a peça de Shakespeare e a famosa Marcha nupcial
foram acrescentadas em 1842.
Entre as obras mais conhecidas de Mendelssohn encontram-se as várias coleções
para piano das Canções sem palavras (1829-1845).
São pequenas peças melodiosas, sentimentais ou espirituosas, e já foram muito
tocadas pelos diletantes. Dos lieder de Mendelssohn só um sobrevive:
Nas asas do canto.
Um verão na Escócia inspira a abertura As Hébridas (1833), também
denominada A caverna de Fingal.
Já foi definida como "sinfonia de turista" a Sinfonia n.º 3 - Escocesa (1842),
dedicada à rainha Vitória, obra notável pelo sombrio colorido nórdico.
Depois das Variações sérias (1841), para piano, escreveu Mendelssohn a sua
obra-prima madura, o Concerto para violino em mi menor Op. 64 (1845),
o mais melodioso e brilhante concerto violinístico.
O Trio para piano em ré menor (1839) merece destaque pela energia sombria
do primeiro movimento e a verve do scherzo, mas peca pelo sentimentalismo
do movimento lento.
Como regente Mendelssohn teve o imenso mérito de ressuscitar J.S.Bach
e criou o repertório histórico dos concertos sinfônicos de hoje, com base
nas obras de Haydn, Mozart e Beethoven.
Admirador de Händel, reflete sua influência nos oratórios Paulus (1835)
e Elias (1846), que tiveram grande sucesso em Londres.
Elias, principalmente, continua nos repertórios corais.
No Quarteto em fá maior Op. 80 (1847), Mendelssohn apresenta traços
de influência dos últimos quartetos de Beethoven, sendo ele o primeiro a
admirá-los devidamente.
Das sinfonias de Mendelssohn cumpre ainda citar a Sinfonia n.º 5 -
Reforma (1829-1830) e sobretudo a Sinfonia n.º 4 - Italiana (1833).
Criou também música para órgão e capela.
A obra de Mendelssohn, banida da Alemanha pelo nazismo, sobreviveu à
hostilidade anti-semita dos wagnerianos.
Suas composições, vivas e harmoniosas, foram incorporadas ao repertório
internacional como representação máxima da elegância musical do século XIX.
Somente das obras para piano muitas caíram no esquecimento.
Nem romântico, nem clássico, Mendelssohn seria mais apropriadamente
definido como uma espécie de parnasiano avant la lettre.
Sua obra combina a ortodoxia clássica e o colorido romântico, fórmula para
epígonos desenvolvida pelos seus alunos do conservatório de Leipzig,
que semearam o academismo no mundo inteiro.

Crédito: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/mendelss.htm


José Antonio de Almeida Prado (1943 - 2011)

Considerado um dos expoentes da criação musical
brasileira da atualidade, José Antonio Resende de
Almeida Prado nasceu em Santos, São Paulo,
a 8 de fevereiro de 1943. Discípulo de Dinorah de
Carvalho (piano), Osvaldo Lacerda (harmonia)
e Camargo Guarnieri (composição), seu nome conquistou
prestígio nacional em 1969, ao conquistar o primeiro
prêmio do I Festival de Música da Guanabara,
com a cantata Pequenos Funerais Cantantes,
sobre texto de Hilda Hilst.
Executada então no Teatro Municipal do Rio de Janeiro
pelo Coro e a Orquestra do teatro sob a regência de
Henrique Morelenbaum, teve como solistas
Maria Lúcia Godoy e Eladio Perez Gonzáles.


Do júri internacional que premiou sua obra faziam parte Guerra-Peixe, Roberto
Schnorrenberg e Ayres de Andrade, do Brasil, Fernando Lopes Graça, de Portugal,
Franco Autori, dos Estados Unidos, Hector Tosar, do Uruguai, Roque Cordero,
do Panamá, Johannes Hoemberg, da Alemanha, e Krzysztof Penderecki, da Polônia.
O prêmio, oferecido pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Guanabara
e entregue em palco aberto pelo Secretário Gonzaga da Gama Filho, permitiu
ao jovem compositor realizar um estágio de dois anos na Europa, incluindo uma
breve permanência em Darmstadt para trabalhar com Gyorgy Ligeti e Lukas Foss
e um longo período em Fontainebleau e Paris, recebendo a orientação de mestres
como Nadia Boulanger e Olivier Messiaen.
Sem renunciar aos valiosos ensinamentos de Camargo Guarnieri,
os contatos com a música e as idéias de grandes expoentes da música européia
contemporânea abriram para o jovem brasileiro perspectivas novas, ampliando os
seus horizontes e estimulando a sua fértil imaginação criadora, levando-o a construir
uma forte personalidade musical própria sobre os pilotis de uma severa disciplina formal
e técnica e uma inesgotável fantasia musical. Extremamente prolífero, seu catálogo de
obras já é um dos mais consistentes e volumosos da criação musical brasileira de hoje,
tendo a ecologia e a religiosidade como referências permanentes.
Sua diversificada produção inclui, entre muitas outras, obras de grande porte como
a Missa da Paz, os Pequenos Funerais Cantantes, a Trajetória da Independência
(Prêmio do Governo do Estado de São Paulo), o oratório Therèse ou l'Amour de Dieu.
a Paixão segundo Marcos, o Ritual para sexta-feira santa, a cantata Bendito da
Paixão de Jesús de Nazaré, o oratório Villegaignon ou Les Isles fortunées
(estreado na França), além de um conjunto significativo de obras sinfônicas,
entre as quais a Sinfonia No. 1 (Prêmio Lili Boulanger), os Arcos sonoros da
catedral Anton Bruckner, a Sinfonia dos Orixás, obras para piano e orquestra
como Aurora, Exoflora, Concerto No. 1 e Variações Concertantes, e para violino
e orquestra como a Fantasia (encomenda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro
para comemorar a visita do Papa João Paulo II) e a Sinfonia Oré Jacy-Tatá, inspirada
na constelação da bandeira brasileira e encomendada pelo Ministério da Ciultura
para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento - ambas estreadas
por sua filha, a violinista Constanza de Almeida Prado.
Para piano solo, compôs uma série de Cartas Celestes, visões sonoras dos céus
do Brasil, e também Rios, de inspiração ecológica, sonatas, sonatinas,
variações e peças avulsas.
É autor, ainda, de diversas canções e obras corais e para outros instrumentos,
além de música de câmara. Suas obras têm sido executadas com freqüência e
com grande êxito no Brasil e no exterior e têm merecido numerosos prêmios.

Obras principais Música orquestral: Cidade de São Paulo (1981); Sinfonia dos orixás (1985-86);
Sinfonia Apocalipse (1987); Variações concertantes para marimba, vibrafone e cordas (1984);
Concert Fribourgeois (1985) e Concerto para piano e orquestra (1983). Música coral: Ritual para a
Sexta-feira Santa para coro e orquestra (1966); Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo
São Marcos (1967); Pequenos funerais cantantes para coro, solistas, orquestra (1969); Carta de
Patmo para coro, solista e orquestra (1971); Thèrèse ou l'Amour de Dieu para coro e orquestra
(1986); Cantata Bárbara Heliodora para solistas, coro misto e orquestra de câmara (1987); Cantata
Adonay Roi Loeçar para solistas, coro e orquestra de câmara. Música instrumental: Sonata para
violoncelo (1980); 3 Sonatas para violino e piano; Sonata para viola e piano (1983); Réquiem
para a paz (1985); Sonata para flauta e piano (1986); Trio marítimo para violino, viola e piano (1983);
Livro mágico de Xangô para violino e violoncelo (1984). Música para piano: Cartas celestes (1974);
9 Sonatas; Noturnos; Prelúdios; Variações; 6 Momentos; Ilhas; Rios; Itinerário idílico e amoroso
ou Livro de Helenice (1976); 3 Croquis de Israel (1989); Rosário de Medjugorje (1987);
15 Flashes de Jerusalém (1989).


Crédito: http://www.abmusica.org.br/acad15.htm


Alban Berg (1885-1935)

Alban Maria Johannes Berg nasceu em Viena em
9 de fevereiro de 1885.
Era homem de muita cultura literária e artística, ligado aos
círculos da vanguarda vienense de então: o escritor satírico
Karl Kraus, o pintor e poeta Oskar Kokoschka,
o arquiteto Adolf Loos.
Recebeu influência decisiva, já antes da I Guerra Mundial, do Expressionismo alemão, então incipiente.
Dedicando-se ao estudo da música, aderiu ao equivalente
musical do Expressionismo, à escola de Arnold Schönberg,
de quem se tornou o discípulo mais fiel.
Suas obras participaram do destino das do seu mestre:
foram radicalmente recusadas pelo público, que só percebeu,
no atonalismo e depois no dodecafonismo, cacofonias
horrendas e estruturas abstrusas, incompreensíveis.


Berg foi durante toda a sua vida, homem de saúde delicada, sujeito a várias doenças
e alergias. A picada de um inseto causou uma intoxicação no sangue e a morte do
compositor, no dia 24 de dezembro de 1935, em Viena.
Berg é o único compositor do grupo de Viena (Schönberg e seus discípulos mais
chegados, Berg e Anton von Webern) que teve posteriormente bom sucesso e
plena aceitação pelo público.
Um crítico formulou esse fato da maneira seguinte: 'Berg é a melhor obra de
Schönberg'. Na verdade, sua arte é menos intransigente que a de Schönberg e menos
absoluta que a de Webern. Permite associações literárias e, no sentido mais amplo
da palavra, sociais, que facilitam a compreensão e provocam o interesse mesmo dos
que não conseguem acompanhar o desenvolvimento musical.
Berg é, entre os três, o mais expressionista, não renegando um vestígio de
romantismo. A obra capital de Berg é a ópera Wozzeck, terminada em 1921.
Usou como libreto o texto integral do drama Wozzeck, escrito em 1836 pelo
dramaturgo Georg Büchner (1813-1837), que os expressionistas tinham
redescoberto. O enredo aproveita um crime passional, perpetrado no
tempo de Büchner, por um soldado, humilhado e maltratado.
Inspirou simpatias aos expressionistas e aos sentimentos sociais de Berg.
À abrupta e deliberadamente incoerente forma dramática da obra e aos seus
elementos folclóricos e revolucionários corresponde uma música que ainda, não
dodecafônica, mas atonal. Mas esse atonalismo, assim como o romantismo
revolucionário do drama, é, na ópera de Berg, disciplinado pela adoção de formas
rigorosas da música pré-clássica. A obra, embora pioneira, é a artisticamente mais
perfeita que saiu da escola de Schönberg. Wozzeck foi, na época, recusado
pelos teatros de ópera. Berg avançou ainda mais, adotando o dodecafonismo do
seu mestre, primeiro na ária para concerto O vinho (1929), cuja letra é a tradução,
para o alemão, de um poema de Baudelaire. Os últimos anos de sua vida Berg
dedicou-os à composição da ópera Lulu, a primeira ópera em estilo rigorosamente
dodecafônico. Escreveu ele próprio o libreto, condensação das duas peças
Espírito da terra (1903) e A caixa de pandora (1904) de Frank Wedekind.
É obra de um realismo inédito no teatro de ópera, dir-se-ia escrita em
estilo coloquial. A ópera ficou incompleta, sendo que a última cena sé existe
em forma de uma peça orquestral. Berg não chegou a terminar o trabalho,
porque os últimos meses de sua vida foram ocupados pela composição do
Concerto para violino (1935). Esse concerto, escrito em técnica dodecafônica,
é uma das obras principais da escola de Viena e da literatura violinística moderna.
Berg, que teve tão pouco sucesso em vida, é hoje um dos compositores modernos
mais executados. Wozzeck é a única ópera moderna que se mantém
permanentemente no repertório das grandes casas de ópera, tendo sido
aceita pelo público.
O Concerto para violino é uma das obras mais executadas da música moderna.
A crítica musical explica esse sucesso, algo inesperado, do compositor,
pelo seu romantismo inato. Por isso mesmo as novas gerações de músico
s preferem a arte mais severa de Webern.

Crédito: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/index2.htm

Arcangelo Corelli (1653-1713)

Arcangelo Corelli nasceu em Fusignano a 17 de fevereiro de 1653.
Único músico de uma família de aristocratas, só aos treze
anos iniciou seus estudos sistemáticos de violino e composição.
Estudou em Bolonha, então importante centro de música
instrumental, viajou pela França e Alemanha.
Após um período de obscuridade, apareceu em Roma (1685),
entre os violinistas da igreja de San Luigi dei Francesi,
provavelmente a serviço do cardeal Ottoboni. Nessa época
publicou suas primeiras obras: sonatas para 2 violinos e um
baixo, com acompanhamento de órgão.


Por suas qualidades como homem e músico, desfrutou de estima e admiração
de seus contemporâneos, sendo de notar a amizade que lhe dedicou
a rainha Cristina da Suécia.
Em pouco tempo Corelli alcançou sólida reputação junto aos altos círculos de
Roma, não lhe faltando inúmeras homenagens.
Chamaram-no de 'arcanjo mesmo' e 'verdadeiro Orfeo'.
Experiências humilhantes como intérprete levaram Corelli a um recolhimento
melancólico. Morreu em Roma, a 8 de janeiro de 1713, mas nem por isso
deixaram de lhe homenagear a memória.
Foi sepultado no Panteão de Roma, perto de Rafael.
Suas obras para violino e cravo, em nobre estilo clássico, foram, durante o
século XVIII, usadas para fins didáticos, enquanto hoje se lhes reconhece
grande valor estético.
Considerado fundador da escola clássica do violino, exerceu influência
moderadora num momento de grande entusiasmo pelo virtuosismo.
Foi Corelli que emancipou o violino das funções de mero acompanhador,
completando o processo de dignificação do instrumento iniciado com a
genialidade artesanal dos Stradivarius, Guarnieri, Amati.
Estabeleceu as bases de uma literatura violinística onde a sonata-forma,
pioneira da música moderna instrumental, já se anuncia.
É uma sonata a sua obra mais conhecida até hoje: A folia, que integra
uma coletânea compreendida no Op. 5 (1700).
O significado de "folia" talvez venha a ser o de uma dança espanhola
de grande nobreza.
Também o concerto grosso teve de Corelli um tratamento ampliador no
gênero, destacando-se o Concerto Grosso n.º 8 Op. 6 (1714).

Crédito: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/index2.htm

Luigi Boccherini (1743-1805)

Boccherini nasceu em Lucca (Itália), em 19 de fevereiro de 1743,
filho de um contrabaixista. Como violoncelista, participou de turnês
com o violinista Manfredi, aluno de Nardini, e os dois causaram
sensação em Paris, de onde avançaram até a Espanha, atraindo,
após algumas dificuldades iniciais, o patrocínio de
Don Luís, irmão do rei.
A família Boccherini distinguia-se em outras áreas, como poetas e
dançarinos, e esteve envolvida várias vezes com o teatro em Viena,
cidade que o próprio Boccherini visitou mais de uma
vez no início de sua carreira.
Mesmo com a morte de Don Luís, a pensão espanhola de
Boccherini continuou, e ele pôde assumir o título, e
provavelmente as obrigações, de compositor junto a
Frederico Guilherme II, que em 1787 sucedeu ao tio, Frederico
o Grande, como rei da Prússia.

Não há indícios de que Boccherini tenha vivido ou trabalhado em Berlim,
onde o rei violoncelista reunira outros compositores e executantes do instrumento.
Qualquer que tenha sido o emprego, chegou ao fim com a morte do rei, em 1797.
Boccherini morreu em Madrid em 28 de maio de 1805, e registros da época
indicam que estava vivendo na miséria, ou mesmo na indigência.
Entretanto, não vivera sem patronos, inclusive o embaixador francês em
Madrid, Lucien Bonaparte.
O violoncelista e compositor italiano Luigi Boccherini foi, em vida, freqüentemente
comparado com Haydn, especialmente em sua música de câmara.
Atualmente, é visto em uma perspectiva bastante diferente, embora uma ou
duas de suas obras continuem extremamente populares.
Escreveu um Stabat Mater de emoção profunda, uma ópera, La Clementina,
o muito conhecido Concerto para violoncelo em ré maior, sonatas para violoncelo,
e sobretudo 120 quintetos para cordas, além de 100 quartetos para cordas,
60 trios, 20 sinfonias, 21 sonatas para violino, uma cantata de Natal,
uma missa, etc.
O minueto do Quinteto para cordas em mi maior talvez seja a peça
mais conhecida da música tipicamente rococó. Ultimamente assiste-se
a renascença de outros quintetos, mais profundos e escritos com muita arte,
como o Quinteto n.º 5 em sol maior Op. 60.

Crédito: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/index2.htm


George Friedrich Händel (1685-1759)

George Friedrich Händel nasceu em Halle a 23 de
fevereiro de 1685. Filho de um cirurgião-barbeiro,
começou a tocar cravo às escondidas do pai, que não
queria vê-lo músico.
Por ocasião de uma visita à corte de Saxe-Weisenfells,
o duque, impressionado com seu talento, convenceu o
seu pai a colocá-lo sob a orientação de F.W.Zachau,
organista da catedral de Nossa Senhora, em Halle.
Aos sete anos, aprendeu vários instrumentos,
contraponto, composição, violino e oboé, simultâneos
aos estudos no ginásio luterano de sua cidade.
E, atendendo às exigências paternas, Händel fez
estudos jurídicos na universidade de Halle,
doutorando-se em direito.


Aos onze anos já era um mestre no órgão, violino, cravo e outros
instrumentos e começara a compor.
Em 1703 transferiu-se para Hamburgo, então o centro teatral da Alemanha.
Ali se encenou sua primeira ópera, Almira (1705), que lhe valeu várias
encomendas, conseguindo recursos com os quais, mudou-se para a Itália (1706).
Conheceu o sucesso, como compositor de música sacra, de música de câmara,
de oratórios e de óperas, em Roma, em Nápoles e Veneza, onde rivalizou,
em prestígio, com o grande Alessandro Scarlatti.
De volta à Alemanha, foi então convidado pelo príncipe-eleitor de Hannover,
George Ludwig, para ocupar o cargo de mestre de capela na sua corte, em 1710.
Essa circunstância o levou para a Inglaterra, onde compôs a ópera Rinaldo.
Händel se sentiu mais fascinado pelo centro musical de Londres, para onde
viajou antes de assumir o cargo em Hannover.
Dividiu seu tempo entre as duas cidades, fixando-se em Londres em 1713,
vivamente prestigiado pela corte da rainha Ana.
Em 1714, com a morte da rainha, ascendeu ao trono inglês, como rei
George I, o eleitor de Hannover.
Händel tornou-se o músico principal da corte: em seus primeiros tempos em
Londres o compositor conheceu grande êxito com as suas óperas.
De volta a Hannover, em 1717, compôs A Paixão.
Mas logo retornou para Londres, designado mestre de capela pelo
duque de Chandos.
Compôs o oratório Esther e várias obras sacras.
Foi professor de música das princesas de Gales em honra das quais
compôs as Variações harmônicas para cravo.
Foi regente do teatro Haymarket, como maestro da Academia Real de
Música (1720), desenvolvendo intensa atividade, compondo óperas em estilo
italiano que obtiveram sucesso.
Representou a ópera Radamés, seguindo-se Sansão e Josué.
Naturalizou-se em 1726, quando já era considerado compositor oficial da corte inglesa.
Em 1728, com o êxito de A ópera dos mendigos, que ridicularizava a
ópera italiana, Händel viveu momentos difíceis: sua popularidade decresceu
cada vez mais, pois estava preso a uma fórmula que já não agradava mais ao público.
Mas, embora abandonado pelos financistas e cheio de dívidas, prosseguiu
obstinadamente na criação e encenação de suas óperas.
Em 1737 foi atingido por uma paralisia parcial, e em 1738,
sua companhia de óperas foi à falência.
Händel abandonou o gênero para dedicar-se aos oratórios.
E foi um desses, Judas Macabeus (1747), escrito para celebrar a vitória inglesa
contra os rebeldes escoceses, que o conduziu a um novo período de popularidade.
Seus últimos anos, entretanto, foram prejudicados pela cegueira progressiva.
Mas o compositor continuou a trabalhar como organista e
como regente de seus oratórios.
Händel continuou demonstrando grande energia e, dias antes de sua morte,
ainda dirigiu O Messias, no Convent Garden.
Händel morreu em Londres a 14 de abril de 1759.
Está sepultado na abadia de West Minister.

Händel x J.S.Bach - A música (e às vezes a personalidade) de Händel costuma
ser comparada e confundida, pelos leigos, com a do seu contemporâneo J.S.Bach.
Ambos se parecem em seu gigantismo, ambos restabeleceram a ordem
no caos resultante do experimentalismo do século XVIII, ambos tiveram na
fé luterana a motivação profunda para sua música religiosa e ambos reconstruíram
em maiores dimensões a polifonia vocal, tendo como origem a polifonia instrumental
da música para órgão, pois foram ambos grandes virtuoses desse instrumento.
Essas semelhanças talvez justifiquem a comparação, mas Händel e J.S.Bach
foram personalidades muito diferentes.
Enquanto o segundo ficou restrito a um ambiente provinciano, Händel foi homem
da grande sociedade de Londres.
Como músicos são também diferentes. Händel, compositor mais do tipo vocal,
tinha preferência marcada pelo gênero grandiloqüente da ópera, que nunca atraiu J.S.Bach.
A música religiosa dos grandes oratórios de Händel é muito menos interiorizada
do que as cantatas de J.S.Bach.
A música de Händel, grandiosa e triunfante, foi a maior realização do ideal barroco,
o de empolgar os sentidos.
Como músico instrumental Händel parece às vezes superficial, na pintura
de grandes afrescos, mas o colorido de sua orquestra é irresistível.
Händel foi um grande mestre do artifício construtivo.
Não hesitante, nesse sentido, em se repetir sem escrúpulos, utilizando
indiferentemente o tema de uma canção erótica em um de profundis, por exemplo,
ou em se apropriar de temas de outros compositores como se fossem seus,
fundindo-os em um estilo homogêneo.
Sua arte foi, assim, a de um mestre universal, numa época em que a música
não conhecia fronteiras nacionais.
É a arte de síntese, que funde elementos de várias nacionalidades, como a melodia
da ópera italiana, a polifonia da música religiosa alemã e os ritmos de danças franceses.
Esta síntese monumental estava a serviço da força expansiva de sua música e
de seu temperamento dramático.
Muito mais do que J.S.Bach, que era espírito contemplativo, Händel encarna
a essência do Barroco, com a sua energia e impetuosidade,
com a sua síntese de contrários.

Música litúrgica - Algumas das primeiras composições de Händel foram de música litúrgica,
mas é no seu período inglês que surgem as obras-primas nesse gênero. Händel seguiu
a tradição de Purcell, compondo música para uso da Igreja anglicana. A primeira dessas obras,
o Te Deum e Júbilo à Utrecht (1713), celebrando o tratado de paz na cidade de Utrecht, é purcelliana.
Mas já são obras-primas muito pessoais os Hinos de Chandos (12) (1721), para a capela de
Lord Chandos, e os Hinos da coração (4) (1727), para a cerimônia de coroação de Jorge II.
Merecem ainda destaque o Hino fúnebre (1737) e o Te Deum Dettingen (1743), este último,
celebrando uma vitória inglesa, a mais poderosa de suas obras litúrgicas.

Óperas - O temperamento dramático de Händel encontrou na ópera o que lhe parecia ser
a expressão ideal. Deixou algumas dezenas de obras no gênero. O estilo operístico de Händel
foi o mesmo da opera seria de A.Scarlatti, sua influência decisiva. Händel aceitou todas as
convenções desse estilo: a construção baseada numa seqüência de árias e recitativos,
o uso de sopranos masculinos, etc., e por isso sua ópera cansou, depois, o público inglês.
Das suas óperas sobrevivem trechos que integram coleções de arie antiche para os cantores.
A mais célebre é a ária Ombra mai fu, da ópera Serse (1737). Na universidade de Göttingen houve
por volta de 1920 um movimento de renascença das óperas de Händel.
Só algumas óperas foram desenterradas: Agripina (1709), Rodelinda (1725), Ottone e
Teofano (1723), Tamerlano (1724), Orlando (1732), Ézio (1733) e sobretudo Júlio César (1724),
sua obra-prima no gênero, que ainda permanece como um espetáculo de grande poder dramático.
Um movimento a favor da renascença das óperas de Händel continua
atualmente na universidade de Halle.
Oratórios - Foi no oratório que Händel encontrou a sua expressão congenial. Seus oratórios
não divergem muito, estilisticamente, de suas óperas, mas neles é fundamental o tratamento
polifônico dos coros, que predominam, apesar da beleza de muitas árias. Essa polifonia não é
evolução direta da polifonia vocal do século XVI, mas tradução, em vozes humanas, da nova
polifonia instrumental do Barroco. A arte do órgão, instrumento polifônico, transferiu-se para
a música vocal. Os oratórios de Händel estão no centro de sua obra vocal. Escreveu duas
dezenas de oratórios, mas só alguns sobrevivem no repertório moderno. Embora o primeiro desses
oratórios ainda seja do período italiano, só na Inglaterra é que Händel se dedicou fortemente ao gênero.
Nem todos são hoje ouvidos integralmente. De Belshazzar (1747), Joshua (1747) e Jephta (1751),
cantam-se árias em concertos. Quatro oratórios figuram-se com maior ou menor freqüência
nos repertórios das associações corais: Saul (1737), onde aparece pela primeira vez uma marcha
fúnebre; Sansão (1742), em que se destaca a grandiosa ária Total eclipse; Israel no Egito (1739),
cuja força dramática repousa nos coros; e Judas Macabeus (1747), grande epopéia bélica.
Os oratórios de Händel são paradoxalmente mais dramáticos do que as suas óperas e muitos
seriam representáveis no palco. As grandes exceções são Israel no Egito e O Messias (1742),
este último a mais conhecida obra de Händel, tendo atingido grande popularidade o coro Aleluia.
O Messias, que, mais do que uma narração da vida do Salvador, é uma meditação sobre a sua
vinda ao mundo terreno, não é um oratório típico de Händel, mas é o ponto culminante
de sua grande construção polifônica.
Música vocal profana - A obra de Händel não apresenta divisão rígida entre o sacro e o profano
e o compositor sempre alternou entre as duas tendências. Entre as óperas e obras corais
seculares, é obra de transição Acis e Galatea (1718), idílio arcádico, às vezes encenado no palco.
Grandiosa é a transposição musical da ode de John Dryden, A festa de Alexandre (1736).
A música sobre o célebre poema de John Milton L'allegro e il penseroso (1740) pode ser
definida como um oratório profano. Händel escreveu ainda numerosas outras obras vocais
profanas, destacando-se as cantatas para voz e contínuo, das quais
a mais impressionante é La Lucrezia.
Música instrumental - Menos numerosa e menos essencial para a compreensão de Händel,
mas não sem importância, é a sua obra instrumental. Na música orquestral se destacam,
com grandes intervalos de tempo, as suítes festivas Música aquática (1717) e Concerto
para fogos de artifício (1749). São obras ocasionais, os maiores exemplos da arte orquestral de Händel.
Também muito divulgados são os concertos grossos, sobretudo os Concertos Grossos Op. 6 (12)
(1739), grandes concertos que revelam em Händel um sucessor de Corelli e Vivaldi.
Destaque especial merecem os concertos para órgão, que não sofrem comparação com
a música litúrgica de J.S.Bach para o órgão, pois são fantasias virtuosísticas para um
instrumento menor, o órgão inglês de câmara, sem pedal.
O mais famoso é o Concerto para órgão n.º 4 em fá maior Op. 4. Händel deixou ainda muita
música instrumental de câmara. Compôs bastante na forma preferida da época barroca,
a trio-sonata, para violinos, flauta ou oboé e o cravo.
A diferença instrumental entre as sonatas e os concertos não era grande, mas Händel
evoluiu quanto à forma, incorporando cada vez mais ritmos leves de dança, como demostram
as Trios-sonatas Op. 5 (7) (1739). Merece referência, finalmente, sua numerosa obra para
cravo, destacando-se 2 conjuntos de suítes, de 1720 e 1733, e um conjunto de 6 fugas,
de 1735 (as datas são só aproximadas), suas maiores contribuições para o instrumento.

Crédito: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/index2.htm

Arrigo Boito (1842-1918)

Arrigo Boïto nasceu em Pádua (Itália)
24 de fevereiro de 1842.
Foi libretista ilustre - Otello e Falstaff, de Verdi,
La Gioconda, de Ponchielli.
Dotado de um temperamento entusiasta e combativo,
anarquista e poeta romântico,
pertenceu aos voluntários de Garibaldi.
Boito rompeu com o seu passado ao tornar-se senador,
encerrando sua carreira como compositor.
Exerceu o cargo de diretor do Conservatório de Parma.
Colaborou em diversos jornais e revistas de
música nova - em particular, a de Wagner.
A criação do seu Mefistofele deu origem a tais
batalhas que a polícia teve que proibir a sua obra
depois de três representações.

Boito foi o autor de Hino das Nações, musicado por Verdi.
Começou a escrever o libreto da ópera Maria Tudor, abandonando-o na metade.
Escreveu 2 cantatas - obras da juventude e 2 óperas: 0 Mefistofele (Scala, 1868)
e Nerone (inacabada, Scala, 1924).
Boïto morreu em Milão, em 10 de junho de 1918.

Créditos: http://www.classicos.hpg.ig.com.br/index2.htm

e http://www.bn.br/fbn/musica/cgboito.htm

Gioacchino Rossini (1792-1868)

Gioacchino Antonio Rossini nasceu em Pesaro a
29 de fevereiro (ou 2 de março) de 1792.
Dificilmente teria outra carreira a seguir: era filho
de um trompista e de uma cantora.
Nos primeiros anos de vida já cantava bem
e tocava trompa.
Antes da adolescência, subiu ao palco para cantar óperas.
Depois de estudos musicais bastante precários
em Bolonha - onde escreveu alguns quartetos para
cordas no estilo de Haydn - dedicou-se
inteiramente ao teatro.
Aos dezoito anos, escreveu uma comédia em um ato.
Nem bem estreara sua primeira obra, 'La Cambiale
di Matrimonio', começou a atender a encomendas de
teatros de Ferrara, Veneza e Milão.
O exigente público milanês consagrou, em 1812,
a ópera 'La Pietra del Paragone'

Rossini, embora jovem, passou a ser respeitado como um grande compositor.
Não poderia ser diferente: em apenas dezesseis meses escreveu sete óperas,
seis delas cômicas.
No ano seguinte, seu trabalho foi reconhecido internacionalmente.
A principal peça deste período é a dramática Tancredo (1813).
Foi a farsa cômica A italiana em Argel, também composta nessa fase, que
Rossini se tornou conhecido como um compositor ousado, fundindo expressão
lírica e recursos dramáticos com a melodia límpida e harmonia rica.
Mas a carreira de Rossini também experimentou algumas ondulações.
Depois da brilhante etapa de estréias, produziu composições para Milão
que desagradaram os críticos.
Transferiu-se para Nápoles - onde escreveu Otello - para dirigir o teatro São Carlos,
onde, sob contrato, tinha que compor dramas, mas conseguiu permissão
para continuar escrevendo sob encomenda.
A partir de 1815, sob contrato com Barbaja, empresário do teatro Scala de Milão,
da Ópera Italiana, de Viena e Nápoles, compôs durante oito anos
nada menos que vinte óperas.
Os italianos queriam uma comédia diferente, e Rossini fez, em treze dias,
O barbeiro de Sevilha, cuja estréia, em Roma, a 26 de dezembro de 1816,
foi vaiada; mas a partir da segunda apresentação, no dia seguinte,
tornou-se o maior sucesso de toda a história do teatro musical,
na Itália e no estrangeiro.
Rossini tornou-se o autor de óperas mais representadas na Europa
e o compositor mais célebre de sua época, preferido pelo grande público
ao seu contemporâneo Beethoven, o qual conheceu em Viena.
Falava-se de 'febre rossinesca'. Rossini considerava Maria Malibran,
a melhor cantora da época. Mas casou-se com uma outra soprano importante,
Isabella Colbran, e voltou com ela para Bolonha.
Antes disso, conseguiu uma façanha: acabou com as aberturas tradicionais
dos espetáculos de ópera, muito longas e distantes da trama.
Devido o enorme sucesso de Semiramis, foi convidado a morar em Londres onde,
em menos de cinco meses, ganhou a importante soma de 7.000 libras.
Em 1823 aceitou um vantajoso contrato permanente com a Ópera de Paris,
onde passou a residir e chegou a exercer altas funções honorificas, sendo
entusiasticamente festejado.
Compôs Guilherme Tell, a mais bela e mais
completa manifestação do gênio de Rossini.
Recebeu do rei da França os cargos de primeiro compositor do rei,
e inspetor geral de canto, percebendo um salário de 20.000 francos anuais.
Privilegiado pela facilidade de improvisação, esbanjou o seu talento comerciando a sua arte.
Mas depois da revolução de julho de 1830 e dos primeiros sucessos de Meyerbeer,
Rossini abandonou a capital francesa e a composição de óperas.
Estava muito doente. A beira de um colapso nervoso, voltou para Bolonha.
Só escreveu em 1832, um Stabat Mater, música sem muita importância,
operística, que no entanto encontra até hoje admiradores,
e uma missa que é bastante melhor.
Perdeu a esposa em 1845 e, depois se casou com Olympe Pélissier,
mulher que reunia a elite cultural em sua casa de Paris.
Ela cuidou dele durante quinze anos, período em que quase
não criou nada de importante.
Em 1855 estava, de novo, em Paris, curado e ansioso para voltar a produzir.
Compôs várias peças para piano e vozes, sempre com requinte.
Rossini passou o resto da vida no ócio, dedicado aos prazeres da mesa,
famoso por suas frases espirituosas e maliciosas, vindo a morrer
em Paris a 13 de novembro de 1868, aproveitando as delícias da fama.


Óperas cômicas - A alegre ópera A italiana em Argel (1813) foi eclipsada pelo sucesso enorme
de O barbeiro de Sevilha (1816), que é até hoje a ópera mais representada na Itália e muito
exibida no estrangeiro: merece isso pela verve da abertura e das árias, e pelo efeito irresistível
das cenas cômicas. De Cinderela (1817), que é musicalmente mais séria, só sobrevivem algumas
árias, modelos de bel canto, e de A pega ladra (1817) só a abertura. A música dessas obras é
muito divertida, sem seriedade nenhuma, mas excelentemente adaptadas ao texto e, sobretudo,
à ação dos cantores no palco. A contribuição principal de Rossini para a música de ópera é a
exploração do elemento histriônico.
Óperas sérias - No entanto, a ambição de Rossini foi a ópera séria, trágica, para a qual não tinha
o mesmo talento. É digno de nota o fato de que as aberturas de suas óperas sérias poderiam
muito bem figurar como introduções a óperas cômicas. Mas na época, Tancredo (1813)
foi muito admirada, mais ainda Moisés no Egito (1818), que se afigurava aos contemporâneos
espécie de oratório no palco. Mas também não se cansaram de ouvir Otello (1816)
e Semiramis (1823), hoje totalmente esquecidos. Só A dona do lago (1824) teve, imerecidamente,
menos sucesso. A grande obra séria de Rossini é a sua última ópera: Guilherme Tell (1829).
A abertura é realmente um bom trecho de música. Mas na própria ópera, a "luta pela liberdade"
parece-nos hoje travada como por soldados de chumbo. Os italianos, porém, descobriram
e descobrem nessa obra os primeiros sinais do Risorgimento.
O sucesso de Rossini - Guilherme Tell, assim interpretado, é uma exceção. A música de Rossini
acompanha a época da Restauração, entre 1815 e 1830, e foi o divertimento predileto
de uma sociedade frívola e deliberadamente apolítica. É por isso que Rossini conquistou
triunfalmente a Europa, um "Napoleão da música", como disse Stendhal, que cometeu o erro
de colocá-lo na mesma altura de Mozart. Balzac também o considerava o maior músico
de todos os tempos, elogio que depois de 1830 já não tinha sentido.

Crédito = http://www.classicos.hpg.ig.com.br/rossini.htm


Eduardo Escalante (1937 - )

Clicar aqui

Crédito = www.correiomusical.com.br


Anedotário - Anuncie no Correio Musical - Banco de músicas - Cadastre-se - Classificados
Compositores e arranjadores - Curso on line - Edições anteriores - Editorial -
-Galeria fotográfica - Interpretes A -Z -
Loja Musical - Megafone - Músicos A - Z -
Notícias - Quem somos... - Sala de estudo