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HISTÓRIA DO NATAL |
Nem sempre as pessoas lembram a origem da palavra "Natal". Diz o Dicionário Aurélio: o termo vem [do lat. natale.]. É um adjetivo que significa: relativo ao nascimento. No caso, relativo ao nascimento de Jesus, chamado Cristo. A primeira pergunta que se faz é quanto à veracidade da data (25 de dezembro): teria nascido Jesus nesse dia? Certamente não. É uma alegoria afixada no século IV pelo Concílio de Nicéia, ou pelo Imperador Constantino I, segundo diversos registros. | ![]() |
![]() Imperador Constantino I | Embora em nenhum dos quatro evangelhos canônicos haja citação do termo "Natal", a festividade faz parte do calendário cristão desde aquela época, juntamente com a Epifania - a Adoração dos Magos - já existente no Oriente desde o século III. O 25 de dezembro tem a aquiescência de São João Crisóstomo, o qual afirmava que nos arquivos públicos de Roma constam registros do recenseamento efetuado por ordem do imperador Augusto e que "a Igreja romana deve saber o verdadeiro dia do nascimento de Jesus". (1) Se o referido recenseamento - citado por Lucas 2:1 - foi preservado até os dias de hoje, parece-nos improvável a certeza de que uma mulher chamada Maria, "a qual estava grávida", fosse a mãe de Jesus. Principalmente porque, na Galiléia, os nomes José e Maria eram muito comuns na época. Não havendo o uso de sobrenomes, a determinação se fazia pela citação dos nomes paternos. Se a Igreja romana tivesse encontrado nos registros do recenseamento desses (no mínimo) quatro nomes, por que nunca fez público esse documento? |
Por outro lado, na Roma antiga festejava-se a Saturnália (17 a 24 de dezembro) (2), seguida pela Brunária (25 de dezembro) - o dia mais curto do ano: o do nascimento do Sol que marcava o início do inverno. Data propícia, dada a importância da veneração ao astro-rei, prolongada na do Filho de Deus para os cristãos. Há ainda outro fato significativo: para os persas, a figura de Mitra era reconhecida como a do deus-sol, cujo nascimento ocorria no dia 25 de dezembro. E este culto foi também adotado pelos romanos. | ![]() Ernesto Biondi - Saturnalia Jardim Botânico - Buenos Aires. |
![]() São João Crisóstomo | Mas o calendário vigente na época, oriundo do Egito, passara por inúmeras correções e reformulações. A partir de Rômulo (753 AC), passando por Pompílius, por Júlio César (46 AC) e finalmente por Augusto César, constantemente fora modificado. Qual seria, então, a verdadeira data - astronômica - supostamente registrada no citado recenseamento, da Brunária ou de Mitra? Além disso, São João Crisóstomo tomava como prova a visão de Zacarias no templo quanto à concepção de Isabel. Diz Lucas (1:26) que, estando Isabel no sexto mês de gestação, apareceu o anjo a Maria anunciando-lhe a sua gravidez. Mas se formos nos reportar aos próprios evangelhos canônicos encontraremos uma clara contradição. Em Lucas 2:8 vamos ler: "estavam velando naquelas imediações uns pastores, e fazendo sentinela de noite sobre suas pastagens". (3) Dezembro, no hemisfério norte, é tempo de inverno e das primeiras chuvas. Portanto os pastores e seus rebanhos não dormiriam ao relento como o faziam no verão (muito quente e seco). Jesus teria então nascido em junho ou julho? |
Creio
que nunca saberemos a verdadeira data. Mas isto pouco importa. O 25 de dezembro pode ser uma alegoria, mas o culto ao Menino Jesus é sempre o relembrar das belíssimas mensagens que Ele veio nos deixar. |
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TRÊS REIS MAGOS Quanto à figura dos três reis magos: outro mistério. Somente no evangelho de Mateus eles aparecem, no capítulo 2:1: "Tendo, pois, nascido Jesus em Belém de Judá, reinando Herodes, eis aqui que alguns magos vieram do oriente a Jerusalém, perguntando: onde está o recém-nascido rei dos judeus?" (4) Quem seriam estes magos? Em primeiro lugar, as escrituras não se referem a eles como "reis". Em segundo lugar não fala Mateus em três magos, mas "alguns magos" - poderiam ser mais de três. Em terceiro lugar, quem eram eles e de onde vieram? De que lugar do oriente? Não se sabe. O número três é conseqüente do número de presentes ofertados: ouro, incenso e mirra Os nomes Belchior, Gaspar e Baltasar também são simbólicos. | ![]() |
Outra referência é quanto à misteriosa estrela... "que tinham visto no oriente (e) ia à frente deles, até que, chegando ao local onde estava o menino, parou." (5). Segundo os astrônomos, teria havido uma conjunção de Júpiter e Vênus no ano 3 AC. Portanto Jesus teria nascido três anos antes da data oficializada como ano zero. Teria sido, a estrela, uma visão dos magos - que, além de astrólogos eram videntes, como se depara do texto bíblico? Os ufólogos têm outra opinião. Mas ainda não se definiu bem o que seria este fascinante evento. As antigas comemorações de Natal costumavam demorar até 12 dias - da natividade até a chegada dos Reis Magos a Belém. É interessante ainda citar alguns fatos históricos. A partir do ano 401, o Papa Leão I, em Roma, proferia sermões alusivos à natividade nas noites do dia 24 de dezembro. No ano 800, Carlos Magno é coroado imperador do Sacro Império Romano no dia de Natal. (6) |
![]() | A ÁRVORE DE NATAL Em 1519, na Alemanha, Lutero rompe com a Igreja de Roma. Treze anos mais tarde, numa noite, enquanto caminhava pela floresta, ficou impressionado com a beleza reluzente dos pinheiros respingados de neve à luz das estrelas. Levou galhos e os incorporou como enfeites natalinos. Nasceria assim o culto do pinheiro de Natal. Mas há quem conteste este fato: a tradição seria muitíssimo mais antiga. Nas citadas Saturnálias, enfeitavam-se abetos com cerejas pretas. Por outro lado, na antiga Babilônia, a história de Nimrode (bisneto de Noé) era tradicional: tendo desposado sua própria mãe - Semiramis - fora poderoso, perverso e apóstata. Ao morrer, Semiramis projetou um plano que iria perpetuar a sua memória: revelou que repentinamente apareceu um grande pinheiro. Era o próprio espírito de Nimrode. Ora, o pinheiro é sempre verde, emblemando a imortalidade. A cada ano, na data de seu aniversário, presentes eram colocados ao redor da árvore. Uma grande similaridade existe com o nosso enfeitado pinheirinho natalino.(7) Inclusive com os enfeites coloridos de Lutero, a imitação da neve hibernal e, no topo, a estrela-guia dos magos. |
O PRESÉPIO Jesus nasceu num estábulo ou numa caverna? Também não sabemos. Se os animais estavam nas pastagens, Maria poderia ter se protegido num estábulo para receber o filho que ia nascer naquela noite. Por outro lado há quem acredite que a Sagrada Família recolheu-se numa caverna, porque na região (com vales e montanhas) havia muitas, usadas pelos viajantes e os animais no inverno. Em 1223, "... na vila de Greccio, na Itália, São Francisco de Assis une a missa natalina com a representação do presépio na forma como conhecemos hoje." (8) |
![]() São Nicolau |
| ![]() Santa Klaus |
Mas é nos Estados Unidos onde a festividade firmou suas características em âmbito mundial através dos hábitos, da preservação das tradições e da religiosidade; inclusive, no século XX, no cinema, com a insistente temática do Natal nos melhores momentos, despertando na audiência a emoção da espírito crístico. No mundo tão conturbado em que vivemos, por que não refletir sobre o verdadeiro espírito do Natal? Sobre a virtude da fraternidade. Sobre as mensagens que o Mestre Jesus nos deixou, consolidadas numa única, bela e profunda frase: "AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI." Que o espírito do Natal esteja no âmago de cada um de nós e que, ao transpormos as barreiras do Novo Ano, tenhamos crescido espiritualmente e estejamos plenamente renovados |
Notas (1) Frei Basílio Rower, O. F. M. - Dicionário Litúrgico, p.165. Petrópolis: Ed. Vozes, 1928. 2 ed. (2) Festividade dedicada ao deus Saturno. (3) ____ Bíblia Sagrada. (Traducida de la Vulgata Latina teniendo a la vista los textos originales, por el P. José Miguel Petisco). Madrid: Ed. Apostolado de la Prensa, 1956. 6 ed. (4) Idem, p. 1206. (5) Idem, ibidem, Lucas (2:9) (6) _____ A celebração através dos tempos. Revista História Viva. Ano 5.n.50. p.32. (7) Curiosa semelhança se verifica quando, no rito fúnebre do Quarup, pelos indígenas do Xingu, um tronco enfeitado com objetos do falecido pernoita no centro da aldeia e o seu espírito se faz presente, para receber as homenagens e despedida dos parentes e amigos. (8) Idem: Revista História Viva, p.33. (9) Idem, ibidem. |