![]() | CENTENÁRIO
DE CAMARGO GUARNIERI TRIBUTO A UM MESTRE DA MÚSICA NO BRASIL |
É
claro que, se fizermos uma reflexão sadia, concluiremos que o próprio produto
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Mas,
reflitamos: será correta esta maneira de "sentir" urbano? Será a nossa Alheio
a toda esta efervescência que impõe os seus próprios produtos |
A
partir de 1922, o movimento modernista iria incluir a cultura popular | ![]() |
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O
falecimento de Mário de Andrade em 1945 talvez tenha sido o motivo |
Camargo Guarnieri nasceu em Tietê SP) (1/02/1907) e iniciou seus estudos de música com o professor Virgílio Dias, daquela cidade. Em 1923 a família muda-se para São Paulo, onde, no ano seguinte, passa a estudar com Ernani Braga e com Sá Pereira, até 1926. O maestro italiano Lamberto Baldi, chegou nessa éppoca ao Brasil; com ele Guarnieri continua seus estudos até 1930. Em 1928 conhece e passa a conviver com Mário de Andrade. Nesse período de formação técnica e cultural, toca piano num cinema mudo do bairro da Lapa (Cine Teatro Recreio) e numa loja de música da rua de São Bento, tendo posteriormente sido contratado como professor de piano do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (1927-1930). | ![]() Da esquerda para a direita: Mário de Andrade, Lamberto Baldi e Camargo Guarnieri |
| Com a nomeação de Mário de Andrade para o Conselho Estadual de Cultura, funda, a convite deste, o Coral Paulistano, à frente do qual trabalha por alguns anos. Deste período é a sua primeira sonatina, com expressões brasileiras como "ponteado", "molengamente", "Bem depressa". O ano de 1930 também marcou outro momento importante da carreira do compositor: a canção Impossível Carinho fora escrita sobre versos de Manuel Bandeira e mereceu deste a mais efusiva admiração. No ano seguinte, o seu Choro n° 3 é premiado no Rio de Janeiro pelo Instituto Nacional de Música. Em 1936, outro prêmio: o do Departamento de Cultura de São Paulo pela peça coral Coisas deste Brasil. Mais um ano, pela mesma entidade, mais um prêmio: para a sua obra Flor de Tremembé (para 15 instrumentos, solistas e percussão). Em 1938 ganha bolsa de estudos, podendo viajar para a França, onde recebe orientação de Charles Koechlin (1867-1950) (Contraponto, Fuga, Composição, Estética Musical) e François Ruhlmann (1896-1945) (Regência coral e orquestral). |
Com o início da guerra, em 1939, retorna ao Brasil. Segue-se, então, uma série de prêmios: em 1942, nos Estados Unidos, o de seu Concerto para violino e orquestra, que lhe valeu uma viagem àquele país, patrocinada pela Pan American Union; em 1944, em São Paulo, pela sua Primeira Sinfonia e pelo Primeiro Quarteto para cordas (RCA Vitor, para compositores da América Latina). No ano seguinte inicia uma viagem, para mostrar sua obra, pela Argentina, Chile e Uruguai. Em 1946 o seu Segundo Concerto para piano é premiado em São Paulo. O compositor segue mais uma vez para os Estados Unidos, onde rege, à frente da Sinfônica de Boston, a Sinfonia n° 1. No ano que se segue, a Concurso Internacional "Sinfonia das Américas" premia a sua Segunda Sinfonia. Em 1952 estréia, no Rio de Janeiro, a ópera Pedro Malasarte, com texto de Mário de Andrade. Em 1953 segue para Bruxelas, a fim de participar, como jurado, do Concurso Internacional Rainha Elizabeth. Em 1954 é premiado no Concurso do Quarto Centenário de São Paulo. De 1955 a 1960 exerce o cargo de Assessor Técnico do MEC, a convite do ministro Clóvis Salgado. O Festival Internacional de Música de Caracas (Venezuela), em 1956, confere o 1° Prêmio ao seu Choro para Piano e Orquestra. Dois anos mais tarde embarca para Moscou, a fim de integrar o júri do Concurso Internacional de Piano Tchaikowsky. Em 1959 assume a presidência da Academia Brasileira de Música, da qual é um dos fundadores. | ![]() O tempo e a música, livro de 670 páginas, orgamizado por Flávio Silva, reúne biografia, depoimentos, fotos, análises de vários autores. (na capa: retrato de Portinari) |
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A OBRA É difícil relacionar todo o acervo da obra do grande compositor. Poderemos lembrar que Guarnieri percorreu todos os gêneros da criação musical, tendo inclusive criado o gênero Ponteio (prelúdio em formas brasileiras). Deixou duas óperas (Pedro Malasarte e Um homem Só), várias sinfonias, concertos para vários instrumentos, suítes sinfônicas, aberturas. O gênero camerístico ganhou uma infindável quantidade de obras para os mais diversos agrupamentos: trios, quartetos, quintetos, assim como duos, nos quais registram-se inúmeras sonatas. Para piano compões estudos, danças, improvisos, ponteios, sonatas, sonatinas, toadas, valsas, etc. Escreveu obras corais e sacras. As suas canções representam a mais importante contribuição à música do Brasil: mais de quinhentas, cujos caracteres delinearam o perfil mais autêntico da nossa música e provavelmente pelos quais melhor esboça a personalidade artística do grande mestre. |
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