Em
1895, Hans von Bülow foi sucedido por Arthur Nikisch, originalmente
violinista, que se tornou um maestro de gestos tranquilos e moderados.
Nos seus 27 anos de atividade, ele deu continuidade ao trabalho artístico
da orquestra, ampliou seu repertório e interviu veementemente a favor
das sinfonias de Bruckner, tornando clara sua predileção por Tchaikowsky,
Berlioz, Liszt ou obras "contemporâneas" de Strauss e Mahler. Importantes
solistas se apresentaram com a orquestra à época de Nikisch, tais
como os pianistas Ferruccio Busoni, Wilhelm Backhaus, Alfred Cortot,
Edwin Fischer; os violinistas Fritz Kreisler, Jacques Thibaut, Carl
Flesch, Bronislaw Huberman, Jascha Heifetz e Adolf Busch; o violoncelista
Pablo Casals e cantores famosos, como Maria Ivogün e Heinrich Schlusnus.
Em 1923, Wilhelm Furtwängler assume o cargo de regente, priorizando
as músicas clássica e romântica. Ele foi o intérprete de Beethoven,
Brahms e Bruckner.
Dentre seus contemporâneos, teve mais afinidade com os pós-românticos
do que com os compositores de vanguarda, intervindo também a favor
de obras de Hindemith, Prokofiev, Strawinsky ou Schönberg.
Rapidamente após o colapso de 1945, na cidade em ruínas de Berlim,
ergueu-se uma nova vida musical na Filarmônica, sob a regência de
Leo Borchard e, logo em seguida, do romeno Sergiu Celibidache, contratado
como maestro permanente da orquestra.
Sergiu era considerado temperamental, vibrante e fanático, mas bastante
complicado.
Seus concertos, numa sala em Zehlendorf, no palácio Titania e, mais
tarde, na Escola Superior de Música, foram classificados de incomuns.
À esta época, solistas de renome internacional - à frente de todos
o violinista Yehudi Menuhin - e diversos maestros voltaram a Berlim.
A orquestra viajou para a Alemanha Ocidental e para o exterior. Wilhelm
Furtwängler voltou a participar da orquestra em 1947 e, em 1952, tornou-se
mais uma vez regente titular.
Após sua morte (1954), os filarmônicos convidaram Herbert von Karajan,
em 1955, para ser o regente permanente e diretor artístico do grupo.
Nos três decênios seguintes, Karajan alcançou uma perfeição e cultura
de execução únicas, dando ao som da orquestra uma característica decisiva.
Concertos, turnês e inúmeras gravações de discos - durante as quais
os músicos da Orquestra Filarmônica de Berlim se "transformaram" na
"Filarmônica de Berlim" - deram testemunho da parceria mundialmente
consagrada.
Desde outubro de 1963, a orquestra apresenta-se na "Philharmonie",
no Kemperplatz, projetada por Hans Scharoun, à qual em 1987 foi acrescentada
uma sala de música de câmara.
Os músicos, mesmo na qualidade de empregados do Estado de Berlim,
continuaram formando uma "República Orquestral Livre" (Furtwängler),
que se auto-rege e tem forte poder de decisão. Herbert von Karajan
demitiu-se em abril de 1989, encerrando uma parceria de longos anos.
No mesmo ano, no dia 16 de julho, faleceu em Salzburgo.
Na assembléia de 8 de outubro de 1989, a Orquestra Filarmônica de
Berlim elegeu Claudio Abbado para ser seu quinto regente titular,
iniciando a parceria na temporada de 1990/91. Claudio Abbado deu novos
rumos à orquestra.
No repertório, colocou a música do século XX lado a lado com as músicas
clássica e romântica.
Todos os anos, passou a apresentar tópicos (ciclos) com um determinado
tema.
No início, era a música inspirada no lirismo de Hölderlin, seguindo-se
"Faust", a Grécia Antiga, Shakespeare, Alban Berg e Georg Büchner.
Na temporada de 1997/98, o tema fundamental chamou-se "Der Wanderer"
(O Andarilho). Também anualmente, Abbado passou a apresentar uma ópera,
em forma de concerto, na Filarmônica.
A "Viagem para Reims", de Rossini, foi seguida pelo "Boris Godunow",
de Mussorgsky; "Elektra", de Strauss; "Otello", de Verdi; "Wozzeck",
de Berg; "Fierrabras", de Schubert e, na temporada de 1998/99, por
"Tristão e Isolda" de Richard Wagner.