


![]() | EDUARDO
ESCALANTE |
O compositor Camargo Guarnieri (1907-1993) teve um papel semelhante ao que Brahms desempenhou em seu tempo, na Alemanha, transplantado para o Brasil do século XX na música, ou seja, organizou toda a seqüência de experiências anteriores nacionalistas, de uma riqueza esplêndida, e que tiveram como máxima expressão o gênio de Villa-Lobos (1887-1959): no sentido de uma maior coerência de linguagem musical, de uma exploração mais racionalizada do discurso sonoro, tendendo, por isso mesmo. a um neoclassicismo que encontrou - tal como Brahms - nos gêneros derivados da forma sonata (sinfonia, concerto), o meio ideal de expressão. Assim como o mestre alemão, lançou mão de uma inspiração lírica, aliada a um preferencial uso do recurso do contraponto em sua linguagem musical. Camargo Guarnieri, como bem afirmou o pianista e compositor Acchile Picchi, criou uma escola estética no sentido neo-renascentisrta do termo, e chegou a um refinamento de expressão que beirou o universalismo. Nessa escola estética guarnieriana houve espaço para muitas personalidades, embora ficassem claras as linhas mestras de filiação. | ![]() |
Muito
embora expressivos nomes da atualidade Escalante
também se insere nessa linha de |
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| Foram
seus professores: Francisco Conserino e Vera Del Nero Gomes, Piano, Emmerich Csammer (Áustria) e Diogo Pacheco, Regência. Tendo estudado Percepção com Souza Lima, Harmonia, Análise e Contraponto com Osvaldo Lacerda e Composição - como já acima dissemos - com Camargo Guarnieri, é dono de um catálogo de mais de 300 obras, que vão de peças curtas para piano e um pequeno "Solilóquio" até a ópera "O Pagador de Promessas". Esta obra - e com amplo sucesso - foi estreada no Rio de Janeiro. Outras obras de envergadura são a premiada Sinfonia n° 1, de 1991, e o Poema Coral-Sinfônico "Sertões", sobre o livro homônimo de Euclides da Cunha, o que lhe demandou anos de pesquisa, inclusive viagens à Bahia para pesquisa in loco. A feitura da ópera O Pagador de Promessa foi a pedido do próprio autor, Dias Gomes. A citação dos títulos já estarão, provavelmente fazendo com que o leitor situe Escalante dentro da corrente nacionalista, inclusive pela filiação destacada à Escola Paulista de Composição de Camargo Guarnieri. Chega a afirmar o ilustre Vasco Mariz na 5ª e 6ª edições do seu clássico "História da Música no Brasil" que o compositor foge da denominação de "nacionalista", havendo diversos grãos de verdade em sua logística. | Retrato - pintor Itsuo (Mário) Kubo
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| O
certo é que há uma relativística em tudo isto. Em certas obras - principalmente nas de ordem camerística - existe uma clara inspiração nacional, bem como na temática de algumas obras de envergadura. Só que Escalante, emérito contrapontista, ao contrário de Guarnieri cujo contraponto visceral visa, acima de tudo, frisar e enobrecer o caráter folclórico de sua inspiração, usa da temática não tão acentuadamente nesse aspecto. Inserindo-a dentro de um arcabouço polifônico extremamente sólido, no qual são cabíveis diversas transformações temáticas, passando a impressão ao especialista que a estrutura de seu polifonismo transcende, e em muito, em importância, a temática oriunda de sua melódica, toda ela gravitante no campo tonal ou modal, sem a mínima simpatia pela tonalidade alargada de seu mestre Guarnieri, e isenta de qualquer incursão no atonalismo ou no dodecafonismo shoenberguiano. |
Voltando
a Vasco Mariz, a logística do grande
Publicado
na Revista Santos Arte e Cultura Ano I. Vol.6 - novembro de 2007
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O ensaio de Luis Roberto Trench para o jornal O Dia São Paulo, 9 de outubro, página 4: | ![]() |