Natural de Veranópolis, 52 anos, o maestro José Pedro Boéssio
foi o criador Orquestra Unisinos.
Era doutor em Música e Regência Orquestral pela Indiana University,
em Bloomington/EUA, tendo defendido tese sobre Villa-Lobos.
Entre 1991 e 1995, teve a oportunidade de trabalhar com a Chicago
Civic Orchestra e a Knoxville Symphony Orchestra, sob a supervisão
de Gustav Mayer e Kirk Trevor. Na temporada de 1995/96 foi ainda regente
assistente da Bloomington Symphony Orchestra.
De 1988 a 1989, esteve à frente da Orquestra de Câmara Theatro São
Pedro, em Porto Alegre, como regente titular.
Entre 1986 e 1987, estudou com Helmuth Rielling, na Alemanha, como
bolsista do governo daquele país.
Antes mesmo de formar-se médico pela Faculdade de Medicina da Ufrgs,
em 1976, havia recebido orientação musical de José Penalva,
Henrique de Curitiba e Carlos Alberto Pinto Fonseca.
Estudou também com Arlindo Teixeira, Roberto Duarte
e John Neschling durante o curso de composição e regência da
UFRGS, de 1978 a 1982.
Após seu retorno dos EUA, regeu a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal
do Rio de Janeiro, no ciclo Villa-Lobos; a Orchestre Royal de Chambre
de Mons, na Bélgica; a Orquestra Sinfônica do Festival de Londrina;
a Orquestra Villa Rizzo, do Rio de Janeiro; e a Orquestra do High
School Festival, na Georgia/EUA.
José Pedro Boéssio era Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra
Unisinos, de São Leopoldo, RS, desde sua criação em junho de 1996,
e se dedicava principalmente ao repertório contemporâneo, dando ênfase
a obras de compositores brasileiros e latino-americanos.
Nos últimos anos, Boéssio e a Orquestra Unisinos fizeram apresentações
com solistas, como o canadense Fred Mills, os brasileiros Antônio
Del Claro e Hique Gomes, Borghetinho, e o norte-americano Mark Menzies.
Em abril do ano passado, a Orquestra Unisinos fez um grande espetáculo
em frente às ruínas de São Miguel, com a participação de Vítor Ramil.
Seu grande projeto para o futuro era a criação de uma orquestra sinfônica
regional, que estava amadurecendo com a Orquestra Unisinos e com o
Projeto Sinos Acorda, que leva cursos de música instrumental
de cordas para crianças e jovens do Vale do Sinos.
Em 1999, por ocasião dos 30 anos da Unisinos, José Pedro Boéssio deu
o seguinte depoimento: "Quis a vida me marcar fortemente desde
cedo pelos valores da solidariedade, verdade, justiça. A busca pela
utopia de um mundo mais humano baseado nesses valores ficou fortalecida
nos tempos da Medicina, até mesmo pelo contato com a doença e a saúde,
a morte e a vida, dimensões extremamente humanas e potencialmente
humanizadoras. Hoje, após 20 anos de uma visceral ligação com a Unisinos,
universidade cristã, jesuíta, encontro realização como músico e artista
através da busca constante, comunitária, obsessiva e libertária por
aqueles mesmos valores".
No dia 28 de janeiro passado, o Mto. José Pedro Boéssio sofreu grave
acidente no
qual faleceram também dois de seus filhos.
Era casado com a artista plástica Ana Montana Boéssio, com
a qual tinha três filhos (Rafael e Mariana, mortos no acidente, e
Isabela).
De seu casamento com sua falecida primeira esposa, deixa a filha mais
velha Elisa Lima Boéssio.