Colhemos
com o Mto. Jorge Kaszas, que é um excelente narrador de casos e anedotas
do meio musical, o presente fato, ocorrido na década de 40/50.
O pianista Alexandre Orlowsky (da Fonseca - preferia não usar o nome
paterno por razões óbvias) era natural de Bagé, RS.
Excursionando pelo Brasil, apresentava-se em recitais, que constituíam
o seu meio de vida, sempre impecavelmente de casaca, como aliás era
hábito na época.
Numa
das suas viagens, tendo se apresentado em Porto Alegre, hospedou-se
na casa de um amigo, também pianista: Demóphilo Xavier. Como tinha de
resolver alguns assuntos em Montevideu, pediu ao amigo que guardasse
a sua bagagem e, em especial, a sua casaca, a qual foi devidamente acomodada
num guarda-roupas.
Demorou-se Orlowsky uns quinze dias no Uruguai, retornando ao Brasil
via Bagé.
Lá
chegando encontrou amigos que foram lhe trazer a triste notícia: o Demóphilo
falecera na semana anterior.
-
"Ele estava bonito no caixão! De casaca!.."
-
"A minha casaca!" berrou Orlowsky desesperado...
E
desse dia em diante, o pianista Alexandre Orlowsky (aliás, da Fonseca)
nunca mais usou casaca nos seus recitais.

(
Ilustração:
Arthur
Guidi - IA, UNESP )